sábado, 18 de abril de 2015

UM TEMPO PARA MIM.

Todos nos precisamos de um tempo para cuidar dos nossos interesses , e eu não sou diferente, preciso de um tempo para tentar voltar a fazer as coisas que eu gosto, um tempo para desenvolver melhor meus projetos, um tempo livre de centros cirúrgicos, um tempo livre de radiações, um tempo para pensar em coisas que não sejam voltadas só para as consequências que o acidente deixou.
Preciso fazer uma cirurgia em minha bacia esquerda, para retirar as "placas" e colocar uma prótese interna, o ortopedista que me acompanha e eu estávamos tentando programar essa cirurgia para o final desse ano, essa cirurgia não precisa ser feita com urgência, na verdade o que diz quando ela precisa ser feita é o nível da dor que eu esteja sentindo, nesse momento eu ainda sinto muitas dores, que em alguns dias são insuportáveis, mas nada que um remédio não resolva. Eu não posso fazer essa cirurgia agora ou no fim do ano por dois motivos, um é que eu ainda estou em tratamento da osteomielite, e o outro é um motivo pessoal, é que eu não gostaria de passar mais um natal no hostipal, sei que pode parecer infantilidade ou qualquer outra coisa, mas pra mim já não é mais uma coisa simples levando em consideração que eu já passei dois finais de ano internada, a diferença é que das outras vezes eu não tive opção e dessa vez eu tenho. Conversei com meu medico e ele concordou em deixarmos para começa a programar cirurgia depois de janeiro e até lá eu vou continuar o acompanhamento com o infectologista, vou continuar fazendo fisioterapia e vou continuar as seções com a psicologa, ou seja, não vou de lado minha recuperação.
Nesse tempo eu vou poder fazer algo que eu quero muito, e isso me deixa extremamente feliz, vou poder voltar a estudar, vou pra faculdade... Já escolhi o curso, a instituição e no segundo semestre se Deus quiser eu estarei lá. Estou empolgada com o fato de finalmente esta focada em algo diferente e que eu goste e animada com a falta de tempo que vou ter. Eu sei que não vai ser fácil, que vão ter dias mais difíceis que outros,mas quem disse que é pra ser?!?! Afinal, a vida não é isso!?!? Passei a acreditar que estamos no mundo para sermos melhor, para superar coisas, para lutar, para vencer, viver se tornou isso pra mim, e eu gosto, gosto por que eu sei que se eu não tiver pelo que lutar e nem forças, significa que eu não estou viva, e se eu estou viva e tenho saúde eu simplesmente vou seguir, vou correr atrás e vou lutar até consegui o que quero, é por isso que esse tempo é tão importante pra mim. Esse é o meu tempo e ele vai contribuir para meu novo mundo, que ainda esta em construção.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Era noite e eu estava deitada em uma cama de hospital, quando um homem que usava duas muletas se aproximou para trocar a medicação, eu o olhei, e a principio não consegui saber por que ele usava muletas, só quando ele se afastou consegui ver que ele não tinha uma de suas pernas.
Desde criança pensamos "no que vamos ser quando crescer", primeiro eu queria ser veterinária, pediatra, e depois de algum tempo fiquei em dúvida entre fisioterapia e tecnologia da inflação. Trabalhar com algo ligado a tecnologia falou mais alto e eu iniciei um curso técnico, que fui obrigada a  trancar por causa do acidente. Mesmo depois do acidente eu não desisti de voltar a estudar, a trabalhar, ou seja, eu não desiti de ter um vida normal.
Sobre ser fisioterapeuta, pensei que seria impossível depois do acidente, descartei a possibilidade de ser fisioterapeuta não por pensar que eu seja incapaz, e sim por realmente não ser a profissão que eu quero exercer. Por pensar nessas coisas todas de profissão, eu lembrei do  tec em enfermagem que comentei no inicio, não sei o que houve com ele, nem se sua profissão já era essa.  Penso  nas dificuldades que ele enfrenta e no que não o fez desistir por que  eu sei o quanto é difícil carregar algo e segurar as muletas ao mesmo tempo, é difícil com duas pernas imagine com uma só...
Tudo isso me faz pensar em  todas as pessoas que tem dificuldades de se locomover e mesmo assim não desistem, enquanto tantas pessoas sadias desistem facilmente por coisas "banais", acredito que tanto o tec em enfermagem quanto as pessoas com alguma deficiência só querem se sentir capaz de fazer algo e mostrar pra todos que também são capazes. Eu sou uma pessoa com dificuldades de locomoção, eu sou uma pessoa que enfrenta  muitas dificuldades, mas eu sou uma pessoa que não desistiu, e que não vai desistir  de nada. Aprendi a lutar pelo que quero, a defender o que acredito e a não acreditar no impossível.
Já decidi a profissão que vou exercer, e sei que tudo o que eu quiser ser eu vou ser.