Quando sofri o acidente algumas pessoas se prontificaram a me ajudar, pessoas que eram desconhecidas, pessoas que eu nunca tinha visto, ou ouvido falar antes no hospital, e quando eu cheguei em casa também. As pessoas demostraram um carinho muito especial por mim, um afeto enorme, me fizeram sentir gigante, de uma maneira que nunca tinha me sentido antes.
Amigos antigos, novos amigos, e isso fazia com que eu me perguntasse: Como eles podem gostar tanto de mim??
Eu sentia que gostavam, e isso era estranho porque para mim eu só era alguém antes, quando eu podia andar, quando eu podia sair, quando eu era quem eu era e não quem eu me tornei, alguém com o corpo marcado, alguém com muitas dificuldades. Foi quando eu comecei a perceber que ser diferente não é um defeito, essas cicatrizes só me tornam não melhor, mas... Torna-me alguém mais experiente, alguém que hoje tem uma historia pra contar, alguém que as pessoas gostam de ouvir. Ah! Como era ruim não ser ouvida... não ser compreendida...
Esses dias, eu estava pensando sobre os últimos anos, pensei: O que eu faria se pudesse voltar no tempo?? Se sinto falta do passado?? Se eu gostaria de ser como eu era??
E eu me surpreendi com as minhas próprias respostas, porque todas elas foram negativas, sei que eu vou conquistar tudo o que perdi, se é que eu perdi mesmo alguma coisa...
Hoje eu sou alguém que vê a vida ser assim, e consigo gostar dela, como ela é, sou alguém que não é igual a ninguém, alguém sente que hoje é alguém.
Demorei muito para chegar a esse estágio, e não foi nada fácil, mesmo quando aceitar é a única alternativa, não é fácil. Mas, o que eu quero dizer é que não importam as nossas dificuldades, não importam os nossos defeitos, não importa se você é feio ou bonito, se você tem seu corpo ou seu coração marcados, quem determina como deve lhe dar com qualquer situação é apenas uma pessoa... VOCÊ.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
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